Fabio Braga/Folhapress
ROBERTO DE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

18/03/2016 02h21

“Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice, dessa eterna falta do que falar”, cantou Cazuza nos anos 1980. Se estivesse vivo, imagine o que diria hoje.

Em um momento em que o conservadorismo envenena o debate de ideias e reforça o ódio e o preconceito, eis que um sopro de tolerância surge na TV –aberta– brasileira: “Estação Plural” é um alento em prol da diversidade.

Esta se dá logo de cara na escolha do trio de apresentadores, todos ligados ao universo LGBT: a cantora e compositora Ellen Oléria é negra e lésbica, Mel Gonçalves, da banda Uó, transexual, e Fernando Oliveira (Fefito), gay.

Enquanto Mel vai ganhando confiança e espaço na atração, Fefito parece ainda não ter percebido que o entrevistador, mais do que falar e gesticular, deve saber ouvir.

Quem demonstra ter esse talento é Ellen, a vencedora do “The Voice Brasil” em 2012, que desfila com desenvoltura ao receber os convidados. Carismática, está à vontade em cena e conduz bem o roteiro do programa, elaborado pela jornalista Ana Ribeiro, colaboradora desta Folha.

CONVIDADOS

“Estação Plural” não se atém a temas típicos do “mundinho gay”. Com leveza, põe no ar debates de interesse geral alternando conversas no estúdio com entrevistas nas ruas.

O convidado do terceiro programa, nesta sexta (18), é o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), o político mais atuante na causa LGBT. Estão ainda na agenda do trio a cineasta Anna Muylaert e o cantor Ney Matogrosso.

Na estreia (4), ao discutir temas como avanços científicos na explicação da homossexualidade e da transgeneridade, o médico Drauzio Varella, colunista da Folha, afirmou que a ciência está próxima de comprovar que o que define biologicamente a sexualidade é a herança genética.

Ao falar sobre “prazeres culpados” e algo mais, Bruna Lombardi esbanjou simpatia na sexta (11). Encarnou o guru: saiu dando dicas para os apresentadores e, de quebra, para o público.

Um dos momentos mais divertidos do programa é um quadro em que os apresentadores testam o conhecimento de “pajubá” do convidado.

O “pajubá” é uma espécie de dialeto baseado em línguas africanas e usado pela comunidade LGBT. Bruna Lombardi, por exemplo, não soube responder o que é “ocó”, termo equivalente ao já popular “peguete”.

Num país em que bandeiras de Bolsonaros e Felicianos tremulam em meio ao clamor pela ética, pela justiça e pela democracia, aprender um pouco de “pajubá”, para além da diversão, pode ser um meio de dar visibilidade à pluralidade de gênero e de pontos de vista.

ESTAÇÃO PLURAL
QUANDO sextas, às 23h (reprises às seg., meia-noite), na TV Brasil

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