Publicada em 14/05/2014 Tribuna da Bahia/Foto: Ricardo Nunes/Maria Gadú

Depois do grande sucesso ao percorrer cinco capitais brasileiras, o projeto Banco do Brasil Covers chega a Salvador, no Teatro Castro Alves, de 23 a 25 de maio.

Em nova turnê itinerante, a apresentação capital baiana encerra a temporada 2014, que também passoupor Belo Horizonte (Palácio das Artes, de 11 a 13 de abril), São Paulo (Espaço das Américas, de 23 a 25 de abril) e Curitiba (no Teatro Guaíra, de 9 a 11 de maio).

Criado para mostrar grandes nomes da música brasileira interpretando o repertório de seus compositores prediletos, a edição atual do projeto conta com três shows, dirigidos por Monique Gardenberg, que estão em cena desde o ano passado.

Na programação, Maria Gadú celebra Cazuza (1958?1990), Zeca Baleiro reverencia Zé Ramalho e quatro astros do rock brasileiro – Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni e Toni Platão – se unem a Liminha, um dos maiores produtores musicais do país, para explicitar sua devoção ao grupo inglês The Beatles (1960?1970), com a participação de convidados especiais (André Frateschi, MarjorieEstiano, Paulo Miklos e SandradeSá).

Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni e Toni Platão cantam e tocam The Beatles

Nomes emblemáticos da geração que nos anos 80 abriu as portas e os ouvidos do Brasil para o rock produzido no país, o belga DadoVilla-Lobos, o brasiliense João Barone e os cariocas Leoni e ToniPlatão foram garotos nascidos nos anos 60 que amaram os Beatles (e os RollingStones).

Não necessariamente naquela década, mas tão logo ingressaram no mundo eternamente jovem do rock. O show em que o fantástico quarteto canta e toca TheBeatles é afetivo acerto de contas com a memória musical de artistas que, influenciados pelos Fab Four, viveram eles mesmos o sonho de ser popstar no Brasil.

Como guitarrista, Dado Villa-Lobos integrou a já mítica banda brasiliense Legião Urbana (1982?1996) e permanece em cena em carreira solo. JoãoBarone é há três décadas o baterista virtuoso que marca o ritmo do som do grupo carioca Paralamas do Sucesso.

Projetado como compositor no grupo carioca KidAbelha, Leoni formou uma segunda banda nos anos 80, Heróis da Resistência, e na sequência se firmou, já em carreira solo, como um dos mais habilidosos compositores de música pop do Brasil.

Já ToniPlatão é reconhecido como o dono de uma das grandes vozes do rock nacional desde os tempos em que era o vocalista do grupo carioca Hojerizah.

Nos shows do projeto, o quarteto canta e toca Beatles sob a direção musical de Liminha, o produtor e músico que deu forma em seu carioca estúdio Nas Nuvens a grandes álbuns do rock brasileiro dos anos 80 e 90 e que também participará da banda tocando baixo.

Para abrilhantar o show, o quarteto recebe convidados especiais como Ritchie cantor e compositor inglês radicado no Brasil, autor de diversos sucessos como “Menina Veneno” , “A Vida Tem Dessas Coisas”, “Pelo Interfone”, “Casanova” e “Voo de Coração” e dois atores que se revelaram ótimos cantores, AndréFrateschi e MarjorieEstiano.

Com 26 canções o roteiro embaralha músicas de todas as fases do quarteto de Liverpool. AllmyLoving (John Lennon e Paul McCartney, 1963), EightDays A Week (John Lennon e Paul McCartney, 1964), Octopus Garden (Ringo Starr, 1969), Come Together (John Lennon e Paul McCartney, 1969).

Sgt. Pepper’sLonelyHearts Club Band (John Lennon e Paul McCartney, 1967), With a Little Help OfMyFriends (John Lennon e Paul McCartney, 1967), Lucy In The Sky With Diamonds (John Lennon e Paul McCartney, 1967) e Strawberry Fields Forever (John Lennon e Paul McCartney, 1967) são alguns dos clássicos que embalam a noite.

Maria Gadú canta Cazuza

Quando Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 7 de julho de 1990), o Cazuza, saiu precocemente de cena, aos 32 anos, Maria Gadú ainda tinha quatro anos incompletos.

Mas o tempo não para e, como o cancioneiro de Cazuza nunca envelhece, a cantora e compositora paulistana logo travou contato com a obra deste cantor, compositor e poeta carioca como qualquer brasileiro nascido após 1982.

Nesse ano, o grupo carioca Barão Vermelho que se reunira em fins de 1981 e admitira Cazuza como vocalista após indicação do cantor goiano Leo Jaime lançou seu primeiro disco. Foi quando começou a brilhar a estrela de Cazuza.

O rock do Barão Vermelho evocava a crueza do som dos Rolling Stones, mas a poesia das letras escritas por um poeta que viria a receber a alcunha de Exagerado por ser pautado pelos excessos, sobretudo de talento parecia arder na fogueira das paixões que consumira, décadas antes, as canções do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 1974).

E da cantora e compositora paulista Maysa (1936 1977), merecendo imediatos elogios públicos de nomes como Caetano Veloso (que sentenciaria mais tarde que Cazuza foi o poeta da geração pop dos anos 80) e Ney Matogroso.

O parentesco de Cazuza com a música brasileira ficou mais evidenciado quando o cantor saiu do Barão Vermelho, após três álbuns e um compacto gravados com o grupo, e iniciou carreira solo em 1985, gravando mais seis álbuns individuais, o último lançado de forma póstuma em 1991.

Em oito intensos anos de carreira, Cazuza deixou nada menos do que 234 músicas, sendo que uma parte ainda permanece inédita. É sobre essa vasta obra que Maria Gadú se debruçou para selecionar o repertório do show sob a direção de MoniqueGardenberg.

O roteiro mistura 20 músicas que passeiam pelo repertório do compositor como Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat e Cazuza, 1982), O Nosso Amor a Gente Inventa (João Rebouças, Rogério Meanda e Cazuza, 1987), Mais Feliz (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986), Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988), Blues da Piedade (Roberto Frejat e Cazuza, 1988) e Ideologia (Roberto Frejat e Cazuza, 1988).

A intensidade que pautou Cazuza parece guiar também os caminhos de MariaGadú. Grande revelação de 2009, ano em que lançou seu primeiro álbum, Maria Gadú, com sucessos autorais como Shimbalaiê.

A cantora e compositora paulistana já gravou desde então dois álbuns de estúdio e fez dois registros ao vivo de shows (um deles com Caetano Veloso) em apenas quatro anos de carreira fonográfica.

O sucesso de Gadú já extrapola inclusive as fronteiras nacionais. Parceira do compositor norte-americano JesseHarris, a artista fez este ano turnê pela Europa, com shows invariavelmente lotados.

Zeca Baleiro canta Zé Ramalho

Zé Ramalho e Zeca Baleiro são do Nordeste. Mas a vastidão da Nação Nordestina é tamanha que ambos habitam distintos universos musicais ? o que valoriza e ressalta o ineditismo do show em que Baleiro vai dar voz a músicas de Ramalho.

Nome que se destacou na corrente migratória que deslocou artistas do Nordeste para o eixo Rio-São Paulo ao longo dos anos 70, em busca de maior visibilidade e oportunidades profissionais, JoséRamalhoNeto veio ao mundo em 3 de outubro de 1949, na cidade interiorana de Brejo da Cruz, enraizada no sertão da Paraíba.

Influenciada pela obra seminal de Luiz Gonzaga (1912?1989), sua vivência musical começa a virar profissão nos anos 60 em João Pessoa (PB), quando Ramalho passa a integrar conjuntos de baile que tocavam o pop rock produzido naquela década.

Mas o cantor somente se faria ouvir em todo o Brasil a partir de 1978, quando lançou seu primeiro álbum, Zé Ramalho (Epic / CBS), com sucessos autorais como Avohai (homenagem ao avô que o criou após a morte do pai), Chãodegiz e Viladosossego.

O tom épico e apocalíptico da música de Ramalho já lhe valeu epítetos como Profetadosertão e BobDylanda caatinga. Pautada pelo traço de originalidade da obra do compositor, a discografia de Ramalho contabiliza 26 álbuns em 35 anos de carreira.

Nascido em 11 de abril de 1966, em São Luis, e criado em Arari, cidade do interior do Maranhão, José de Ribamar Coelho Santos começou a se tornar um grande nome da música brasileira como ZéRamalho a partir de 1997, ano em que lançou seu primeiro álbum, Por onde andará Stephen Fry (Mza Music), já assinando como Zeca Baleiro e chamando atenção da crítica pela verve de seus versos que, não raro, são construídos com trocadilhos e jogos de palavras que explicitam espirituosa visão do mundo.

Musicalmente, a obra autoral de Baleiro é multifacetada, conciliando canções de lirismo mordaz (Flor da pele, seu primeiro sucesso, exemplifica tal vertente), temas de ritmos regionais que expõem sua origem nordestina, samba, reggae e blues.

Paralelamente, o compositor foi se revelando sagaz intérprete de obras alheias talento que pode ser comprovado nos shows em que apresentará sua personalíssima leitura do cancioneiro de Zé Ramalho.Ave de prata (Zé Ramalho, 1979), dá início à apresentação com Baleiroenvolto em atmosfera meio dark.

Quase teatral, o climático começo introduz o cantor maranhense no mundo apocalíptico de seu antecessor Zé Ramalho, de quem se tornou parceiro em O rei do rock – música lançada por Ramalho no álbum Parceria dos viajantes, de 2007, e revivida por Baleiro neste tributo – e em Repente cruel (tema ainda inédito em disco).

Turbinado com projeção de vídeo filmado por Baleiro sob a direção de Monique Gardenberg, Garoto de aluguel (Taxi boy) (Zé Ramalho, 1979) – música inspirada na fase pré-fama em que Ramalho se prostituiu no Rio de Janeiro (RJ) – exemplificou o bom domínio que Ramalho, artista formado nos bailes da vida, sempre teve do idioma pop.

Na sequência Vila do sossego (Zé Ramalho, 1978), Táxi lunar (Zé Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, 1979) e Avohai (Zé Ramalho, 1978) dão o tom do espetáculo.

Serviço:

Dia 23 de maio, sexta-feira, às 21h: Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni, Toni Platão e Liminha cantam e tocam The Beatles. Participação especial de André Frateschi, Marjorie Estiano e Ritchie.

Dia 24 de maio, sábado, às 21h: Zeca Baleiro canta Zé Ramalho

*neste dia haverá gravação de DVD.

Dia 25 de maio, domingo, às 20h: Maria Gadú canta Cazuza

Local: Teatro Castro Alves (Praça Dois de Julho s/n, Campo Grande Salvador)

Ingressos: Filas A a P: R$140,00 (inteira) / R$70,00 (meia)

Filas Q a Z: R$100,00 (inteira) / R$50,00 (meia)

Filas Z1 a Z6: R$80,00 (inteira) / R$40,00 (meia)

Filas Z7 a Z11: R$60,00 (inteira) / R$30,00 (meia)

Classificação: Menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsáveis

As vendas regulares terão início no dia 25 de março, terça-feira, a partir de 12h. O desconto de 50% para clientes Ourocard será mantido, porém limitado a dois ingressos por CPF.

A partir da data de venda regular de cada praça, haverá venda também nas bilheterias credenciadas.

Os endereços e horários de funcionamento estarão disponíveis nos sites Belo Horizonte via ingresso.com, São Pauloticket360.com.br, Curitiba diskingresso.com.br, Salvador bilheteria do Teatro Castro Alves e nos Sac’s Shopping Barra e Iguatemi e no bb.com.br/bbcovers.

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