03-01-2019
Lu Lacerda- RJ

Por Lu Lacerda
Fotos: Arquivo site Lu Lacerda e reprodução

(De cima para baixo, em sentido horizontal e ordem alfabética): Alexia Dechamps, Arnaldo Niskier, Carlos Tufvesson, Guiomar Mairovitch, Hélio de la Peña, Ivanir dos Santos, Nelson Sargento e Ronaldo Fraga)

Só se fala na ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves nesta quinta-feira (03/01), que, a tomar pelas redes sociais, deixou muita gente abalada: “Agora é inaugurada uma nova era no País, em que menino veste azul e menina veste rosa”, em vídeo amador feito nessa quarta-feira (02/01), dia em que Damares assumiu a pasta. Ela foi aplaudia pelo público que a cercava e tinha, inclusive, uma bandeira de Israel sendo sacudida. Outras frases também chamaram atenção, como “O estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã” ou ainda “menina será princesa e menino, príncipe”, num aviso contra o que chamou de “doutrinação ideológica”.

A atriz Alice Wegmann, por exemplo, declarou: “Meninas usam azul meninos usam rosa. Quase 6 milhões de crianças sem pai no registro, quinta maior taxa de feminicídio do mundo, mais de 20 milhões de mulheres criando seus filhos sozinhas, violência doméstica, adultério, pai sem pagar pensão, criança morando na rua, e a ministra preocupada que menino tem que vestir azul e menina tem que vestir rosa”. Eu, Lu, gostaria de saber da ministra: qual pode ser a cor de tantas outras definições de gênero? E que bom é ter a cabeça de Damares com tempo pra pensar essas coisas em pleno século XXI!

Alexia Dechamps (atriz): “Estou me sentindo na Idade Média, ou estaria a ministra Damares brincando? Ela está fazendo humor, ela ainda não foi descoberta, ela é bem cômica. Já teve a história da goiabeira…”

Arnaldo Niskier (escritor e professor): “Não se determina sexo pela cor da roupa. A própria ministra Damares estava de azul ao falar isso, e não me consta que ela seja menino. É uma simplificação sem sentido trazida ao debate por ela. Essa discriminação policrômica não é democrática; por isso mesmo, deve ser repelida.”

Carlos Tufvesson (militante): “Não sei o que estava fazendo a bandeira de Israel atrás de um ato tão homofóbico como esse. Pelo que me consta, Israel sempre teve um turismo gay fortíssimo, tem uma Parada Gay famosa em Tel Aviv, uma comunidade muito respeitada, então deveriam tomar cuidado com o uso da bandeira de Israel – acho que a comunidade hebraica do Rio deveria se pronunciar. Mas o mais deprimente ainda é que não tem jeito e vamos ter que aturar isso por alguns anos. Não é surpresa para ninguém, já que se essa senhora viu Jesus no pé de goiaba, ela pode querer qualquer coisa. Mas não pode uma ministra dizer isso”

Guiomar Mairovitch (presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-RJ): “Foi um infeliz comentário, partindo de uma ministra de direitos humanos é lamentável. Cor da roupa não determina sexo, assim como a opção sexual não determina caráter. Uma ministra que ocupa essa cadeira não pode discriminar ninguém. O mínimo que se espera de uma ministra é que ela tenha conhecimento de que vivemos em uma democracia e que conheça a nossa Constituição. Vivemos em um País livre”.

Hélio de la Peña (comediante): “Fico imaginando a mãe que concorda com a ministra Damares querendo definir a sexualidade do filho pela cor da roupa que ele usa. Nesse caso, se o vestido do menino for azul, tudo bem, né? Com certeza não é gay!”.

Ivanir dos Santos (babalaô): “Responderei de uma forma irônica. Há muitos anos que os meninos e meninas vestem jeans, ou seja, azul. Essa é uma atitude extremamente retrógrada, não tem mais sentido no momento em que vivemos. A Ministra está muito equivocada. A cor das roupas não definem o sexo ou a sexualidade das pessoas! Nem muito menos irá influenciar no caráter dos indivíduos. A revolução cultural contemporânea nos mostrou que não existe disparidades entre cores afetos e sexualidades. Homens e mulheres são livres para de vestir e postar tal como quiserem… isso é democracia”.

Lucinha Araújo (presidente da Sociedade Viva Cazuza): “Eu, aos 82 anos, acho essa declaração tão ridícula que prefiro não comentar.”

Nelson Sargento (presidente de honra da escola de samba Mangueira – que usou rosa a vida inteira): “Meu Deus! Ela quer colocar farda/uniforme nas meninas e nos meninos, onde já se viu? Que absurdo! O que eu sei é que azul e rosa são as cores do céu e das principais escolas e samba do Rio, Portela e Mangueira, mas falar em todas as cores é uma maravilha!”.

Ronaldo Fraga (estilista): “A tradição em vestir meninas de rosa e meninos de azul foi criada durante a inquisição na idade média pela igreja católica. Meninas já nasciam com forte tendência á bruxaria, e seria preciso fragiliza-las com a cor das rosas…Será que o desejo da ministra é mergulhar o Brasil num período semelhante aquele? Com essa declaração a ministra pinta o rosa como a cor do preconceito e o azul como a cor da discriminação” .

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