O cantor Cazuza – Divulgação
“Pra mim é tudo ou nunca mais”, trecho da famosa canção, pode definir como eram os relacionamentos de um dos mais importantes artistas da MPB

ISABELA BARREIROS PUBLICADO EM 22/04/2020, ÀS 16H02
Aventuras na História

Exagerado: esse provavelmente é o adjetivo que melhor descrevia Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza. Um dos mais importantes cantores da música popular brasileira, o artista levou essa proposição à sério e pode ser considerado um exagerado em sua vida amorosa, na sua trajetória como um todo e, ainda, em sua morte.

Desde pequeno, o garoto já demonstrava a família um trailer do que seria sua vida: uma agitação. “Ele sempre quis botar fogo em tudo e foi isso o que acabou fazendo com sua vida. Mas uma hora ele se deu conta do tamanho do incêndio e já não dava mais para apagar”, afirmou a mãe do artista, Lucinha Araújo.

Teve muitos amores na sua adolescência. Lucinha já estava acostumada, mas quando leu uma carta — muito carinhosa — que Cazuza havia escrito ao amigo, começou a pensar sobre a sexualidade do filho. Em seu livro Só as Mães São Felizes (1997), ela narrou o episódio em que, sem delongas, questionou o jovem.

“Meu filho, você é homossexual?”, perguntou a mãe. Tranquilamente, ele respondeu: “olha, mãe, eu não sou nem uma coisa nem outra, porque nada é definitivo na vida. Você pode dizer que eu seja bissexual, porque não fiz minha escolha ainda. Um dia posso gostar de um homem como, no outro, gostar de uma mulher. Então não fique preocupada com isso”.

A explicação dada pelo futuro artista pode ser definida como bissexualidade, o que posteriormente ele afirmou ser. Ao longo de sua vida, Cazuza se apaixonou por homens e mulheres, tendo relacionamentos afetivos e sexuais com ambos os sexos.

A grande primeira paixão do exagerado foi com uma vizinha da família, no Leblon. Apenas aos 17 anos, em uma tarde qualquer, pediu dinheiro para a mãe para pagar um teste de raio X. Alguns dias depois, a clínica telefonou na residência, cobrando pelo exame. Ao questionar o filho sobre o destino do dinheiro, descobriu que ele havia sido dado à namorada para pagar um aborto.

A maioria dos casos de Cazuza não era assumido ou, pelo menos, exposto. Um de seus relacionamentos conhecidos da juventude foi o com Patrícia Casé, irmã da atriz Regina Casé. Os dois moraram juntos por seis meses, mas, ao brigarem, se separaram totalmente. Ele ainda a escreveu uma carta de adeus: “Você me ama ao cubo e eu te amo ao quadrado. Não posso te dar menos do que você merece”.

Foi depois desse término que o cantor engatou uma intensa e curta relação com o cantor Ney Matogrosso. Os artistas se conheceram em 1979, quando Cazuza tinha apenas 17 anos e o outro era 22 anos mais velho, aos seus 39 anos e com um sucesso já estabelecido com a banda Secos e Molhados.

“No início não dei muita bola para ele não”, disse Ney Matogrosso em entrevista à revista Época. “Ele foi na minha casa com uma amiga e a certa altura a gente foi fumar um baseado, tomamos um Mandrix, e lá pelas tantas ele me perguntou se eu daria um beijo nele. E dei. Não significava nada dar um beijo naquela época. Só que quando a gente deu esse beijo o mundo se apagou ao redor, ficamos nós dois dentro daquilo. E não nos largamos mais”, comentou.

É assim que Ney define o caso: “durou pouco, mas foi muito intenso”. Foram apenas quatro meses de namoro, mas “o amor permaneceu e permanece até hoje”. “Hoje seríamos amigos como fomos até o fim da vida dele. A morte não apaga essas coisas de dentro da gente”, disse ainda.

Depois do cantor do Secos e Molhados, Cazuza se apaixonou pelo ator Sergio Dias, conhecido como Sergi-nho. Com ele, viveria sua relação mais duradoura que, no entanto, “não tinha nenhum preceito de fidelidade monogâmica”, segundo o roteirista do filme Cazuza, o Tempo Não Pára, Victor Navas. Mesmo durante o relacionamento, ele “participava de relações com seis pessoas ao mesmo tempo. Muitas vezes, não havia sexo, apenas carícias — e muitas drogas”, explica Navas.

Segundo Patrícia Casé, ex-namorada, “ele [Sergio Dias] foi a pessoa que mais entendeu o Cazuza, em todos os aspectos”. Assim, o caso se transformou em uma relação que viria a durar ao menos quatro anos.

Com o tempo, a vida agitada de Cazuza foi se intensificando. Em março de 1987, lançou seu segundo álbum solo, o Só Se For a Dois. Pouco antes da estreia da turnê, no entanto, começou a se sentir mal e foi se consultar com o Dr. Abdon Issa. O diagnóstico: aids.

Em pleno ano de 1987, quando o HIV ainda era considerado um tabu, Cazuza admitiu publicamente ter Aids, sendo a primeira personalidade nacional a fazer essa declaração na época. Sua sinceridade e transparência ajudaram muitas vítimas a lidarem com a doença, que eram vistas com olhares preconceituosos.

O cantor decidiu continuar trabalhando, enquanto passava os dias em Boston, nos Estados Unidos, em busca de tratamento com AZT — única droga existente na época capaz de combater o vírus. Enquanto isso, lançou o seu álbum Ideologia, e realizou um tour pelo Brasil. O resultado: recebeu o prêmio Prêmio Sharp de Música.

Em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, morreu devido a um choque séptico causado pela AIDS. Seu legado permanece até os dias de hoje, tanto em suas belas canções quanto na sua persistência na luta contra a aids.

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