Emilio Dantas é Beto Falcão em ‘Segundo Sol’ (Foto: Reprodução)
PATRÍCIA KOGUT
16/05/2018 – O Globo

Imagens das ruas apinhadas no carnaval baiano abriram o capítulo de lançamento de “Segundo Sol”, na Globo. Mas a ação rapidamente deixou para trás a multidão para mirar em poucos (e centrais) personagens. Foi um dos sinais da assinatura forte do autor da trama, João Emanuel Carneiro. O recurso da narrativa enxuta é uma marca inaugurada por ele na Globo em 2008, com “A favorita”. Depois daquela novela, esse tipo de construção foi contagiando outros autores. E as “apresentações de personagens” esquemáticas que eram obrigatórias nas estreias rarearam. Anteontem, acompanhamos a trajetória de Beto Falcão (Emilio Dantas), um cantor de axé cuja carreira estava em declínio em 1999, ponto de partida do enredo. Ingênuo, trabalhador e romântico, ele é vítima do irmão Remy (Vladimir Brichta) e da namorada, Karola (Deborah Secco), inescrupulosos.

Aqui vale abrir um novo parágrafo só para falar de Emilio Dantas. Verdade que ele viveu Cazuza no teatro e recebeu críticas laudatórias e prêmios. Verdade também que, na televisão, tinha se saído bem em “Além do tempo” e, recentemente, protagonizou a vitoriosa “A força do querer”. Ainda assim, o que ele mostrou em “Segundo Sol” impressionou. O personagem é (até agora) uma estrela fracassada, um sujeito sem muitas ambições, doce, dono de uma certa pureza. Ou seja, era preciso uma certa economia nos gestos, sem, contudo, sacrificar a presença em cena. Isso aconteceu e na dimensão exata. Beto exigiu ainda um trabalho de composição — inclusive o sotaque. Mas o resultado foi de uma naturalidade irrepreensível. Fim do parágrafo.

O elenco, no geral, esteve bem. Giovanna Antonelli (Luzia) é carismática e formou boa dupla com Emilio. Vladimir e Fabiula Nascimento, pules de dez, mesmo em breves aparições encheram a tela. Vimos pouco de Adriana Esteves (Laureta), mas bastou para querermos mais. Deborah Secco está à vontade num papel que, ela já mostrou em outras novelas, domina. Outro coadjuvante a se destacar foi José de Abreu (Dodô). Dennis Carvalho, diretor artístico, distribuiu lindas paisagens da costa nordestina pelo capítulo. Elas contribuíram para tornar tudo atraente.

A história fluiu. Porém, alguns soluços deixaram interrogações para o público. Se o pai (Dodô) estava furioso com Remy, por que ele se sentou à mesa com a família toda? Tudo parecia em paz e a discussão só começou por causa da chegada de Beto. Outros pontos: o celular pega com perfeição numa ilha remota em 1999? A gravidez de Luzia não foi confirmada em tempo recorde? Essas situações poderiam ter sido melhor resolvidas numa trama que, afinal de contas, é realista. No geral, entretanto, “Segundo Sol” chegou iluminando o horário com seus diálogos de boa qualidade, uma história ambiciosa e, voltando ao que foi dito acima, com Emilio Dantas se afirmando como uma estrela da nossa televisão.

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