25-09-2019
O Globo- RJ
MARCELO BALBIO

Centro cultural também está no roteiro

VASSOURAS – Em outros tempos, a cidade de Vassouras seria até chamada de garbosa. Pequena e acolhedora, ela pode reservar grandes surpresas ao visitante disposto a explorar seu lado, digamos, urbano .

O coração da cidade de quase 37 mil habitantes (eram pouco mais de 34 mil no Censo de 2010) é a Praça Barão de Campo Belo, assim batizada em homenagem a seu fundador. Construída entre 1835 e 1857, ela é parte do conjunto arquitetônico tombado pelo Iphan, com suas fileiras de palmeiras imperiais e seu Chafariz Monumental .

Na parte alta (sim, ela é tão grande que ocupa parte significativa do centro histórico), abriga a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de 1828. É mais imponente por fora do que por dentro, mas não se sinta desencorajado a entrar por isso, para não perder a chance de admirar os quatro altares laterais e o altar-mor, além da imagem de sua padroeira.

Um conjunto arquitetônico admirável fica em torno da praça, como o casarão que hoje abriga o Centro Cultural Cazuza, o prédio da Câmara Municipal e o palacete Barão de Ribeirão (que já foi residência, hotel, Fórum, cadeia pública e sede do Iphan), entre outros. Recordar é viver: a praça foi uma das principais locações da minissérie “Presença de Anita” (2001), da Rede Globo.

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Basta atravessar a rua para chegar ao Centro Cultural Cazuza, um casarão neoclássico de 1845 que também já serviu a vários propósitos, como residência, colégio e, numa vocação que permanece, Centro Cultural Tancredo Neves. Foi rebatizado depois se ser restaurado, em 2017, pela Sociedade Viva Cazuza, liderada por Lucinha Araújo, que nasceu ali. Tem salão de exposição, áreas multiuso e uma ala com exposição de acervo permanente em homenagem ao cantor, incluindo escrivaninha de infância, peças de roupa, letras de música, fotografias de shows e uma estátua.

Em tempo: do outro lado da praça, vai surgir outra atração de peso: o Museu Vila de Vassouras, em construção e previsto para ser aberto em 2021.

Após passear pela praça e admirar o conjunto arquitetônico ao redor, uma dica é almoçar no Restaurante Relíquia, assistindo ao vaivém no centro histórico.

Depois, o visitante pode seguir para outro destaque do roteiro, a Casa da Hera, ainda na área urbana. A construção, que hoje carece de restauro, mas esbanja beleza e história, é um dos ícones da opulência dos tempos em que os barões do café davam as cartas por ali. Antes de virar patrimônio da cidade, pertenceu a Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930), a mulher, o mito. Dona de uma herança e tanto, ela soube multiplicar seu patrimônio, rompeu padrões, investiu no mercado financeiro e virou um ícone como filantropa.

O dia pode terminar no Mirante Imperial, inaugurado em julho deste ano. Novinho em folha, permite observar a cidade e seus arredores, fazendo boas fotos panorâmicas. Para encerrar o passeio por cima, literalmente.

Marcelo Balbio viajou a convite do grupo Vale do Café Rio

Orquestra Ouro Preto lança CD celebrando Brant e Milton Nascimento
Por Geraldo Felix
-25/09/2019
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Música e poesia em um espetáculo que brinda a arte e a cultura de Minas Gerais. Assim pode ser definido o novo projeto da Orquestra Ouro Preto, “Quem Perguntou Por Mim: Fernando Brant e Milton Nascimento”. Gravado em setembro do ano passado, em Belo Horizonte, o CD e o DVD serão lançados no dia 03 de outubro, quinta-feira, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro). Os ingressos estão à venda na bilheteria do Palácio e em www.ingressorapido.com.br. Os preços variam de R$ 37,50 a R$ 90,00. Na apresentação em São Paulo, em agosto, na Sala São Paulo, os ingressos esgotaram em 45 minutos.

Com regência e direção musical do Maestro Rodrigo Toffolo, produção executiva da Palco Marketing Cultural e direção de cena de Paulo Rogério Lage, o espetáculo une a musicalidade da Orquestra Ouro Preto à arte de dois dos maiores nomes da cultura mineira: Fernando Brant e Milton Nascimento. “Quem Perguntou Por Mim” revive grandes clássicos da produção poética de Brant, obras imortalizadas pelas vozes de Milton Nascimento, Elis Regina e seus parceiros do Clube da Esquina, promovendo um mergulho na alma de Minas Gerais.

Os arranjos dos CD e DVD foram especialmente compostos para orquestra de cordas e banda por Mateus Freire. Já Marco Aurélio Ribeiro, da Navalha Produções, foi o diretor do registro audiovisual. Canções como Travessia, Milagre dos Peixes, Encontros e Despedidas, Canção da América e Maria Maria, entre outras, integram o repertório do espetáculo. “Depois de Valencianas e The Beatles, pensávamos em realizar um novo projeto que homenageasse Minas Gerais, que captasse o sentimento da mineiridade na figura de dois grandes artistas. Fernando Brant é esse grande artista que poetizou Minas de forma transcendental como um compositor de sinfonias. E Milton Nascimento é um patrimônio da nossa cultura e leva o nome do Estado para o mundo. É a força da poesia musicada de Brant e Milton que registramos no DVD e vamos apresentar no Palácio das Artes”, reflete Rodrigo Toffolo.

Uma novidade deste trabalho é a presença da cantora Leopoldina como a “voz” da Orquestra Ouro Preto. Natural de Campos Gerais, ela conta que sua ligação com este repertório vem desde sua infância, e que chegou a viajar de trem para Três Pontas para assistir as apresentações de Milton. “Aos 18 anos, desembarquei em Belo Horizonte e me deparei com Brant. Abracei ele e foi emocionante. Minha vida é permeada pela poesia de Brant. São músicas lindas e marcantes”.

Histórico

Quem Perguntou Por Mim começou a ser concebido com Fernando Brant ainda em vida, é o que explica Paulo Rogério Lage, da Palco Marketing Cultural, produtora do espetáculo. “Em 2014, assentados lado a lado com Tavinho Moura na cerimônia de outorga, pela UEMG, a Milton Nascimento, do título Doutor Honoris Causa, ouvíamos vários discursos, enaltecendo, com justiça a unanimidade nacional que é Milton, sua obra e sua voz. E, como doutores não cantam, mas falam, eram os poemas de Brant que se ouviam sem parar. Rindo, perguntei a Brant, homenagem é ao Milton ou a você? “.

A partir desse encontro, Paulo Rogério propôs ao Maestro Rodrigo Toffolo e a Fernando Brant um espetáculo nos moldes de Valencianas – Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto – agora com músicas cujos poemas fossem de Brant. Aceito o desafio, o espetáculo foi ganhando forma, mas prematuramente interrompido pela morte do compositor. E três anos após sua partida, o espetáculo “Quem Perguntou Por Mim” foi registrado em CD e DVD não como uma homenagem ao poeta, mas como a materialização de um de seus últimos desejos em vida.

Ingressos

Os ingressos para o concerto “Quem Perguntou Por Mim: Fernando Brant e Milton Nascimento” estão à venda na bilheteria do Palácio das Artes e em www.ingressorapido.com.br. Para as Plateias I e II, os convites custam R$ 90,00 (inteira) e R$ 45,00 (meia). Já na Plateia Superior, os ingressos estão à venda por R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia).

A Orquestra

Uma das mais prestigiadas formações orquestrais do país, a Orquestra Ouro Preto tem como diretor artístico e regente titular o Maestro Rodrigo Toffolo. Premiado nacionalmente, o grupo jovem vem se apresentando nas principais salas de concerto do Brasil e do mundo. A orquestra foi criada em 2000 e seu trabalho é marcado pelo experimentalismo e ineditismo.

A essência da Orquestra Ouro Preto está em tornar a música de concerto acessível e interessante ao público, tirando a música erudita das salas de concerto e levando até o público em um exercício de popularização do estilo. Por isso, maestro e músicos estão sempre atentos ao exercício de desmistificar o estilo, tornando-o atraente aos ouvidos de todos.

A fórmula escolhida pela Orquestra Ouro Preto para isso é a junção entre a excelência e a versatilidade, a mistura entre o clássico e os estilos mais populares, fazendo um encontro milenar da música clássica com o rock, a MPB e até o hip hop, linguagens amplamente difundidas e repletas de contemporaneidade. Parte daí a especial atenção do grupo à efervescência cultural da américa Latina, com foco na música brasileira de concerto e nas demais manifestações musicais de países vizinhos, assim como à pesquisa e difusão do repertório vinculado à Escola Mineira de Compositores do Séc. XVII

Maestro Rodrigo Toffolo

Rodrigo Toffolo é diretor artístico da Orquestra Ouro Preto desde sua fundação, em 2000, e assumiu a regência titular do grupo em 2007, após formação junto ao Maestro Ernani Aguiar, um dos maiores compositores e pesquisadores brasileiros em atividade. Doutorando em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e Mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rodrigo Toffolo imprimi na Orquestra uma visão ampliada de gestão e musicalidade, que ele gosta de conceituar como “excelência e versatilidade”.

Serviço

Quem perguntou por mim: Fernando Brant e Milton Nascimento

Data: 03 de outubro, quinta-feira
Horário: 21h
Local: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro)
Atrações: Orquestra Ouro Preto e Leopoldina
Ingressos: Plateias I e II: R$ 90,00 (inteira) e R$ 45,00 (meia); Plateia Superior: R$ 75,00 (inteira) e R$ 37,50 (meia)
Informações: www.orquestraouropreto.com.br

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