Segunda-feira, 12/06/2017, G1, por Mauro Ferreira

O lançamento de Dia dos namorados, single que junta as vozes de Cazuza (1958 – 1990) e Ney Matogrosso através da tecnologia de estúdio, é ato político. Como ressaltou Ney em entrevista ao programa Fantástico exibida pela TV Globo na noite de ontem, a música inédita de Cazuza e Perinho Santana (1949 – 2012) é posta “na roda” em época em que o Brasil está “careta”. A rigor, o país enfrenta onda de conservadorismo que se levanta como reação às visíveis conquistas do universo LGBT. Uma forma de marcar posição em favor dessas conquistas é lançar hoje, 12 de junho de 2017, Dia dos namorados, música que celebra a data e o amor nas vozes de dois homens, dois artistas politizados que, além de tudo, foram mesmo namorados.

Dia dos namorados, a música, é uma sobra das sessões de gravação do segundo álbum solo de Cazuza, Só se for a dois, finalizado em 1986, mas lançado somente no primeiro trimestre de 1987, há 30 anos. A partir da gravação original com a voz de Cazuza, o produtor Nilo Romero burilou o arranjo e adicionou a voz de Ney.

Artistas de gerações diferentes, Cazuza e Ney cruzaram caminhos na música e na vida a partir do fim da década de 1970. Sem caírem no discurso panfletário, eles levantaram as respectivas vozes contra a opressão através de posturas desinibidas no palco, de atitudes altivas fora de cena e de repertórios que, em muitas ocasiões, disseram o que precisava ser dito. O single Dia dos namorados se alinha com a ideologia dos cantores.

(Créditos das imagens: Cazuza e Ney em ilustração extraída de vídeo do programa Fantástico, da TV Globo. Capa do single Dia dos namorados)

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