27/09/2016
Por: Priscila Freitas
priscilaf@diariosp.com.br

Foto: Facebook/Diogo Nogueira
Em entrevista ao DIÁRIO, cantor contou sobre sua relação com a família e falou do legado do pai

O ditado diz que algumas pessoas nascem em berço de ouro, mas, com Diogo Nogueira, foi um pouco diferente: ele nasceu em berço de samba. Filho do consagrado sambista João Nogueira e de Angela Maria Nogueira, Diogo brilha por onde passa, levando alegria com sua música. São mais de dez anos de estrada e, na última semana, ele lançou o quarto DVD, “Alma Brasileira”, depois de cinco anos sem esse tipo de registro. Em clima de boemia, Diogo Nogueira recebeu o DIÁRIO em um bar da Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo, para contar um pouco do novo projeto, da carreira de sucesso e de sua relação com a família. “Esse álbum é uma homenagem ao samba e também à música brasileira”, afirma o cantor de 35 anos.

Além do gosto pelo samba, Diogo também herdou de seu pai o gene da voz. Com um timbre diferenciado e um jeito malandreado, ele deu continuidade à história do samba e, agora, faz uma celebração do gênero. “Comecei a pensar na história da minha infância, das coisas que eu ouvia, por influência do meu pai e da minha mãe. Foi a partir disso que o ‘Alma Brasileira’ começou a tomar forma”, conta o sambista.

O DVD reúne músicas de grandes compositores do samba e de amigos que fazem parte da carreira de Diogo, como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Jorge Aragão. O cantor também enaltece seu pai ao interpretar “Nó da Madeira”, música em que ele ainda mostra versatilidade ao tocar trompete. “O Diogo é um garoto muito bom e é um dos poucos que estão virando mais meu amigo”, elogia Zeca Pagodinho.

Parceria

Um encontro fora dos palcos também foi importante para a construção do álbum de homenagens. “Em uma viagem para a Europa, encontrei a mãe do Cazuza, Lucinha Araújo, que disse que gostava do meu trabalho e ouviu a versão que fiz para “Codinome Beija-Flor”. Coloquei a canção no CD e, quando fui ver, já estava fazendo uma homenagem”, lembra o carioca.

Já com Maria Rita, outra cantora que nasceu em berço especial, Diogo dividiu “Beiral”, canção que ficou digna de um encontro de herdeiros musicais. “Sou fã dela desde o primeiro show a que eu fui.”

Coincidência ou não, o DVD foi lançado no ano em que o samba comemora 100 anos. “Tinha cinco anos que não lançava nada, então estava na hora. Não pensei em lançar para comemorar o centenário, mas coincidiu e acaba sendo uma forma de comemorar também”, avalia ele, que também atuou no musical “SamBra”, outra celebração do ritmo.

Diogo sonha em ter mais filhos, mas o tempo não deixa

Casado há 12 anos com Milena Nogueira, Diogo é pai de Davi e padrasto de Matheus. Com a agenda lotada e fazendo viagens por todo o Brasil, é difícil encontrar o cantor em casa. Mas ele tenta sempre estar próximo da família. “Quando tenho algumas horas de folga, aproveito o máximo que posso. Vou à praia, ao cinema ou fico em casa mesmo, fazendo um churrasquinho”, diz ele, que também leva a família para acompanhar seus shows.

O cantor afirma que deseja ter mais filhos, mas existe um obstáculo no caminho. “Vontade de ter mais filhos, eu tenho. Sou jovem, tenho 35 anos. Mas o problema é o tempo”, afirma o sambista, em meio às gargalhadas.

‘Para mim, ser comparado a João Nogueira é uma coisa boa’

“Como muitos brasileiros, sonhava em entrar num estádio lotado com todos gritando meu nome. O estádio virou palco.”

Com essa pequena introdução, Diogo relembra no DVD “Alma Brasileira” que trocou o sonho de ser jogador de futebol para seguir os passos do pai, João Nogueira, sambista que marcou a história do gênero centenário.

Nesses anos todos de carreira, Diogo caminhou forte para deixar registrado seu nome no samba, assim como fez seu pai. Ele conseguiu e, agora, revela o segredo: não se preocupar com as comparações. “Acredito que ser comparado a João Nogueira é uma coisa muito boa. Sempre procurei fazer meu trabalho da minha maneira, mas respeitando o legado que meu pai deixou. O respeito tanto pelo meu pai quanto pelos outros artistas fez com que as pessoas entendessem o meu valor”, afirma Diogo.

O que forçou o cantor a trocar os gramados pelos palcos foi uma lesão no joelho. Mas, com uma família musical, seu destino no samba já estava gravado. “Nascido e criado no samba, convivi desde menino com grandes mestres que frequentavam a minha casa. Minha mãe cantarolava enquanto cozinhava. Essas são minhas influências”, diz. Já sobre o destino do samba, ele brinca: “É como feijão. Nunca vai faltar na casa do brasileiro”.

URL original: http://www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/94057/diogo-nogueira-lana-dvd-para-homenagear-o-samba

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