Cazuza morreu em 1990, aos 32 anos. Em Novembro 2013, ele volta aos palcos, na forma de um holograma. Será a primeira vez que um artista brasileiro revive por meio desse efeito especial.

A ideia de ressuscitar um músico por meio de um holograma chamou a atenção mundo afora em abril deste ano, quando o rapper americano Tupac Shakur (1971-1996), assassinado quase 16 anos antes, repareceu projetado em um show do também rapper Snoop Dogg, no festival Coachella, nos EUA.

O projeto que homenageia o cantor carioca, idealizado por Omar Marzagão e George Israel (do Kid Abelha e parceiro de Cazuza), terá shows de 90 minutos, em 20 dos quais a imagem do músico vai interagir com uma banda.

Estimado em R$ 3 milhões, o projeto prevê um show em São Paulo, dois no Rio, um em Belo Horizonte e outro em Brasília. Os idealizadores esperam captar R$ 2,5 milhões por meio de mecanismos de fomento à cultura via isenção fiscal, como a Lei Rouanet.

TECNOLOGIA

O desenvolvimento do holograma, que será baseado em fotos e vídeos de arquivo de Cazuza, é realizado pela empresa francesa 4Dmotion. O processo técnico, que deve durar seis meses, está em sua segunda fase (veja abaixo).

Na primeira, que levou dois meses, foi feita uma pesquisa sobre figurino, expressões faciais, gestos e trejeitos.

As imagens utilizadas para o projeto foram feitas principalmente nos anos de 1986 e 1987 -os idealizadores optaram pelo período pré-doença de Cazuza, que morreu em decorrência do vírus da Aids, para evitar a lembrança do artista debilitado.

Com base na tecnologia de “motion capture”, muito usada no desenvolvimento de videogames e efeitos especiais para o cinema, um dublê imitará a expressão corporal do músico. Sobre a face deste mesmo ator, será sobreposto um rosto virtual criado em 3D a partir de fotos de Cazuza.

O áudio dos shows será original, com registros vocais feitos pelo próprio cantor.

As imagens do Cazuza virtual são projetadas sobre uma superfície espelhada no chão, na parte posterior do palco, e refletidas numa espécie de “parede invisível” vertical -para que a plateia o veja ao lado de uma banda ao vivo.

A tela terá uma extensão de cinco metros, pela qual Cazuza poderá “passear”, lembrando suas performances marcantes como a que fez no Rock in Rio de 1985, ao lado do Barão Vermelho.

A banda que irá “acompanhar” Cazuza ao vivo será formada por antigos parceiros dele, como George Israel, Arnaldo Brandão, Leoni, Guto Goffi e Rogério Meanda. O grupo deve interpretar 23 canções, sob direção musical de Nilo Romero, produtor e também parceiro do artista.

“O Cazuza fez música com muita gente. O Barão [Vermelho] vai estar ali, não tem como dissociar, mas não vai ser a banda do show”, diz Romero. “Sobre o holograma, todos nós vamos estar de olho e dar palpites, mas vai depender muito do trabalho do diretor do show”, completa.

Consenso entre os envolvidos no projeto para dirigir o espetáculo, Ney Matogrosso, responsável pelo último show de Cazuza, diz que sua participação depende ainda de seus compromissos, pois deve lançar seu novo álbum após o Carnaval.

Sobre o projeto de “ressuscitar” Cazuza no palco, a mãe dele, Lucinha Araújo, refuta a possibilidade de que a homenagem fique mórbida.

“Acho lindo. Como eu e meu marido somos sozinhos, só tivemos o Cazuza, para nós, vai ser como o renascer de um outro filho.”

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