02/12/2014 – SRZD
Brasil não esconde a cara
Valdeci Rodrigues

Ao contrário do que provocou Cazuza — “Brasil mostra a tua cara” —, o país escancara sua face sombria de negociatas políticas em Brasília cotidianamente. E sem nenhum receio, diante de mais de 200 milhões de habitantes. É o que está acontecendo, mais uma vez, com o governo Dilma Rousseff empenhado em mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) nesta terça-feira, 2, no Congresso Nacional.

Em linguagem bem simples, esta maracutaia, trata de, com aprovação de deputados e senadores, fazer com o que governo possa burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma espécie de freio na gastança de dinheiro do contribuinte. Como o Poder Executivo não conseguiu economizar o previsto para pagar juros de uma dívida pública na casa dos trilhões de reais, mudam-se as regras.

Para modificar a LDO é necessário, então, comprar parlamentares. A compra foi anunciada no Diário Oficial da União da última sexta-feira, 29, tudo pública e abertamente. Foi oferecido mais dinheiro para as emendas que os parlamentares fazem ao orçamento em troca da diminuição do chamado superávit fiscal — também está explícito no Diário Oficial da União.

O termo “chantagem” foi muito utilizado nesta segunda-feira, 1º, em referência à pressão do Palácio do Planalto para ser autorizado a fechar suas contas no vermelho. E por que “chantagem”? Porque os parlamentares não resistem diante de dinheiro para, supostamente, empregar em obras em suas bases eleitorais e, depois, ganhar votos.

Isso pode ser traduzido também como total menosprezo dos próprios deputados e senadores ao Poder Legislativo. Algo que pode ser verificado todos os dias, com o caráter de extensão do Palácio do Planalto que o Congresso Nacional tem.

Esse tipo de negociata é possível e não precisa ser escondido porque a população brasileira não tem interesse em saber como anda a administração pública — embora pague caro por desmandos desta natureza. É ínfima a parcela de brasileiros que se informam sobre o que ocorre na Câmara dos Deputados, no Senado e no governo.

Desta maneira, as manobras são facilitadas quando interesses de parlamentares e do Poder Executivo são satisfeitos. Afinal, a conta é paga pelos mais de 200 milhões de brasileiros que arcam com uma das mais altas cargas de impostos do planeta.

Assim, todo o confronto a que assistimos recentemente, durante as eleições, não serve absolutamente para nada. A maioria dos que brigaram por este ou aquele candidato à Presidência da República está cuidando apenas de seus afazeres, entregando novamente a administração pública a quem não tem como meta resolver os problemas do país.

A vontade dos políticos em solucionar questões como saúde, educação e segurança resume-se aos discursos nos palanques, dizendo o que eleitor quer ouvir. Depois de eleitos, o comportamento é outro e suas ações têm como objetivo favorecer os de sempre com dinheiro público, especialmente os que os petistas adoram chamar de “elites”.

O Brasil mostra sua cara. Só não enxerga quem não quer. Não é à toa que a imagem do país diante do mundo é a pior possível. Incluindo aí o que estão prestes a fazer e que é conhecido no planeta como insegurança jurídica — mudanças constantes nas leis —, um dos principais motivos que afugentam os investidores internacionais da nação brasileira.

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